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Ela sentou-se e deixou-se ficar a deriva do sol e do vento finíssimo. A música iniciou. Ela fechou os olhos, perdida no mundo: a melodia desenrolava-se no compasso lento do coração de uma criança adormecida, e os acordes insinuavam-se pouco a pouco em sua alma, condensando-se numa paz onde brotava, ao fundo, uma delicada esperança.
Que eu saiba puxar lá do fundo do baú um jeito de sorrir pros nãos da vida. Que as perdas sejam medidas em milímetros e que todo ganho não possa ser medido por fita métrica, nem contado em reais. Que as relações criadas sejam honestamente mantidas e seladas com abraços longos. Que eu possa também abrir espaço pra cultivar a todo instante as sementes do bem e da felicidade de quem não importa quem seja, ou do mal que tenha feito pra mim. Que a vida me ensine a amar cada vez mais de um jeito mais leve. Que o respeito comigo mesmo seja sempre obedecido com a paz de quem esta se encontrando e se conhecendo com um coração maior. Um encontro com a paz e o desejo de viver.
O que realmente faz valer a pena estar vivo, não há filmadora ou máquina fotográfica que registre. Surpresas, gargalhadas, lágrimas, enfim, o que eu sinto quem eu sou, você só vai perceber quando olhar nos meus olhos, ou melhor, além deles.
Clarice Lispector. 

(Fonte: cant-fixme, via t-h-o-u-g-h-t-f-u-l)

Há 7 meses
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Eu não mudo por ninguém, mas melhoro por quem merece.